Cenário Econômico Nacional – 28/12/2020

Confira os destaques do Cenário Econômico Nacional desta semana:

A política na semana passada foi menos movimentada do que o costume devido às festas de final de ano e das férias do presidente Bolsonaro. Tivemos declarações do Ministro da Justiça sobre o caso da Abin e de Flávio Bolsonaro e anúncios de pesquisas econômicas como a do emprego e da intenção de consumo das famílias.

Na semana passada o presidente Bolsonaro tirou curtas férias e foi para Santa Catarina, onde provocou aglomerações, conversou com a população e defendeu o voto impresso.

Entre seus ministros teve destaque André Mendonça, Ministro da Justiça e Segurança Pública, que afirmou ser necessário, independência na investigação sobre a suspeita de que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), tivesse produzido um relatório para auxiliar na defesa de Flávio Bolsonaro. Na sexta da semana anterior, Carmén Lúcia determinou que a PGR (Procuradoria Geral da República) apurasse o caso.

Jornalistas afirmam que a investigação é simples, bastaria quebrar o sigilo telefônico da agência, entretanto ela pode se complicar uma vez que a competência para o seguimento das investigações recairia sobre a Polícia Federal, comandada pelo “braço direito” de Ramagem, diretor da Abin e suposto produtor do relatório.

No Rio de Janeiro o Prefeito Marcelo Crivella teve a prisão determinada e foi suspenso do cargo. Crivella foi denunciado numa operação conjunta entre Ministério Público e a Polícia Civil do Rio de Janeiro com mais vinte e cinco pessoas pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e corrupção ativa. Foi um desdobramento da operação Hades, que investiga esquema de pagamentos de propina para liberação de contratos da Prefeitura do Rio. O STJ, na terça (22), concedeu prisão domiciliar à Crivella com o uso de tornozeleira.

Já na economia, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias apurado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), atingiu 72,1 pontos, considerado o pior mês de dezembro desde que o indicador foi criado. Para se ter uma ideia, o mesmo indicador em dezembro de 2019 estava em 96,3 pontos. Essa falta de confiança reflete as dificuldades diante da pandemia e as condições do mercado de trabalho.

Na quarta (23) foram divulgadas as últimas notícias sobre o emprego no país. Houve a criação de 414.556 vagas em novembro passando a ter um saldo positivo de criação de empregos desde o início da pandemia. Entretanto, o desemprego segue elevado no Brasil com mais de 14 milhões de desempregados. Segundo dados na Pnad, o desemprego subiu chegando a 14,2% em novembro. Já a taxa de informalidade ficou em 34,5%.

É possível que o desemprego aumentou mesmo com a criação de novas vagas de emprego devido aos parâmetros da metodologia do IBGE na apuração.

O IPCA-15, prévia da inflação, foi divulgado na terça (22). Ele ficou em 1,06% em dezembro novamente puxado pelo preço dos alimentos. Em novembro no mesmo período, o índice havia ganhado 0,81%. Em doze meses acumulados o índice fecha o ano com 4,23%.

O resultado foi abaixo do esperado. A expectativa era uma alta de 1,14%, segundo mediana de estimativas de 26 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data. As projeções iam desde 0,98% até 1,30%.

A alta foi puxada pelo preço dos alimentos e bebidas — responsável por 0,42 ponto percentual do índice — que já acumula 14,36% de aumento de preços ao longo do ano. Entre os itens que mais subiram estão a batata-inglesa, a soja e seus derivados, arroz, frutas e carnes.

Habitação, que correspondeu a 0,23 ponto percentual, sendo a principal influência o aumento da energia elétrica de 4,08%. Por fim, o setor de transportes também teve grande relevância sendo responsável por 0,29 ponto percentual.

O governo reduziu a projeção da dívida pública brasileira de 93,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 91% em 2020. Mesmo assim o endividamento fechará num patamar recorde devido às seguidas contrações da produção e o aumento das despesas para conter os impactos da pandemia.

Esse é um indicador muito importante para condução de políticas monetárias e fiscais. Uma elevada dívida aumenta o risco do país, deixa os financiamentos do Estado mais caros e limita o investimento público.

O novo patamar da relação dívida PIB se deve à revisão das taxas de crescimento do PIB nos anos anteriores. Houve entre 2018 e 2020 um aumento mais do que esperado no PIB assim como uma contração menor do que a medida.

Na segunda (21), o Ibovespa teve queda acentuada voltando aos 115 mil pontos. Isso em virtude dos temores globais em relação à descoberta da nova variante da Covid19 no Reino Unido que tem taxa de transmissão 70% maior. Foi uma queda de 1,86% do índice. No pior momento do dia, o Ibovespa chegou a cair 2,8%.

Na terça (22), houve uma leve recuperação de 0,7% ficando a 116.636 pontos. Já na quarta (23) o Ibovespa voltou a atingir os 117 mil pontos. Às 11:55 subiu 0,86% chegando a 117.636,94 pontos. A Bolsa operou em volume reduzido e o Banco Safra afirmou que isso pode intensificar tanto os movimentos de alta, quanto de baixa.

Já o Dólar teve tendência de aumento em relação ao Real ao longo da semana chegando a R$ 5,21 na tarde da quarta (23). De acordo com os especialistas, a alta é devido à recuperação dos ânimos na Europa e nos EUA, além da preocupação da nova variante do vírus nos países emergentes com menores condições de reação.

Research Matarazzo & Cia. Investimentos 
https://blog.matarazzo-cia.com/ 
28/12/2020

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