Cenário Nacional

Relatório Cenário Econômico Nacional – 03/11/2020

Relatório Cenário Econômico Nacional, 26/10/2020 a 30/10/2020

Cenário econômico nacional 26/10/2020
Fonte: Banco Central do Brasil

Esta semana foi movimentada nos assuntos políticos. A relação já um pouco desgastada entre o Presidente Jair Bolsonaro e o Governador João Doria foi uma das pautas. Muito se comentou também sobre a alta dos alimentos e o valor da soja.

Nesta quarta-feira (28) o Copom decidiu manter a taxa Selic no patamar de 2%. Com a melhora na economia, a expectativa do PIB foi positiva nesta semana, apesar do IBOV sofrer uma forte queda.

Política

Durante a semana, o assunto que tomou a atenção da população foi o impasse entre o Presidente Jair Bolsonaro e o Governador de São Paulo, João Doria.

Doria continua com a decisão de obrigar a população do estado a tomar a vacina de imunização do COVID-19, por outro lado, Bolsonaro deixou claro que a vacina não deve ser obrigatória. O Presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, informou avaliar que o STF pode ser chamado para decidir sobre o assunto.

Faz algum tempo que o brasileiro vem percebendo o aumento dos preços nas prateleiras dos supermercados, e um produto que sofreu um aumento significativo foi a soja, impactando diretamente o óleo de soja.

Bolsonaro se reuniu com os representantes da indústria da soja para discutir o aumento, porém, o Presidente já garantiu que não vai interferir nos preços e buscará outras soluções, como por exemplo diminuir ou zerar o imposto sobre importação do produto, da mesma forma que fez com o arroz.

Outro assunto que tomou grandes proporções foi o decreto do Governo Federal de incluir as unidades básicas de saúde no PPI (Programa de Parceria de Investimentos), um programa para concessões e privatizações. Esse documento teve a assinatura de Bolsonaro e do Ministro da Economia, Paulo Guedes.

O documento determinava que fossem realizados estudos de parcerias com a iniciativa privada para a construção e modernização de unidades básicas de saúde, porém, o decreto sofreu com a repercussão negativa, pois levantou uma preocupação quanto a uma possível privatização do SUS. Dessa forma Bolsonaro recuou, mas defendeu o decreto afirmando que o objetivo era finalizar as obras inacabadas do SUS e que é falsa a intenção de privatizar o serviço.

Selic

Nesta quarta-feira (28), o Copom decidiu manter a taxa Selic no patamar histórico de 2% ao ano, com unanimidade dos votos, confirmando assim as expectativas dos analistas de mercado.

A Selic se mantém no patamar desde o mês de agosto, apesar da alta da inflação sobre produtos e serviços.

Já para o final do ano de 2021, a expectativa é que a Selic volte ao patamar de 2,75%, mantendo também a previsão da última reunião.

De acordo com o Copom, “a conjuntura econômica continua a prescrever estímulos monetários extraordinariamente elevados, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”.

IGP-M

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgou nesta quinta-feira (29) os dados do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), índice este, comumente utilizado para o reajuste dos contratos de aluguéis.

Foi registrado uma alta de 3,23% no índice. Se comparado com o mês anterior, houve desaceleração, pois no mês de setembro o índice registrou uma alta de 4,34%. O valor acumulado em 12 meses passou a ser 20,93%. Já no ano de 2020, o acumulado está em 18,10%.

De acordo com a FGV essa queda se dá devido ao recuo das taxas do IPA-M, IPC-M e do INCC-M no mês de outubro se comparadas com o mês de setembro, onde os índices tiveram altas históricas.

IPCA

Nesta semana o Bradesco apresentou um relatório com revisões na projeção do Índice Nacional de preços ao consumidor (IPCA). Para 2020, a expectativa passou a ser 3,1%, um acréscimo de 0,7% da estimativa anterior. Já a expectativa para 2021 passou a ser de 3,4%.

Neste mesmo relatório o Bradesco afirmou que os dados recentes apresentam um crescimento acelerado da economia no segundo semestre deste ano, no entanto, a principal dúvida continua a ser sobre o comportamento da demanda quando iniciar a diminuição dos incentivos fiscais, sendo esperada uma desaceleração no crescimento.

Já de acordo com o Boletim Focus, o IPCA deve se manter em 3,02% no ano de 2020 e a expectativa é de 3,11% para o ano de 2021.

Inflação

Na reunião do Copom desta quarta-feira (28), a expectativa de inflação para este ano foi elevada para 3,1%, alta de 1% com relação à última estimativa. Para o ano de 2021 ela deve se manter no patamar de 3,1%.

Em live promovida por uma instituição financeira, também nesta quarta-feira (28), o Secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, afirmou não estar preocupado com a alta da inflação, pois disse ser um problema localizado e transitório a qual está totalmente sob controle, e avaliou como excepcional o trabalho feito pelo Banco Central.

PIB

De acordo com o Relatório Focus desta semana, teremos uma contração menor do que a estimada anteriormente. A nova previsão é de -4,81% para este ano. Já para o ano de 2021, a projeção apresentou uma leve queda, passando para 3,34%.

As estimativas com relação ao PIB nacional estão melhorando nos últimos meses devido a retomada da economia frente à pandemia, e as medidas fiscais tomadas para contenção.

Câmbio

Após 3 semanas consecutivas de correções no valor do dólar frente ao real, esta semana foi marcada por uma alta expressiva na moeda. O valor mais alto negociado na semana foi de R$5,79 e o menor R$5,60.

De acordo com o Boletim Focus, a expectativa é de finalizarmos o ano com o dólar em R$5,40, e para o ano de 2021 a expectativa é de que voltemos para a cotação de R$5,20.

Já o IBOV, índice que mede as movimentações na bolsa de valores brasileira, teve uma semana de forte queda, devido principalmente ao Lockdown na Europa e às eleições nos EUA. A mínima atingida na semana foi de 93.387 pontos e a máxima alcançada na semana foi de 101.784 pontos.

Apesar da forte queda na terça-feira (27) e na quarta-feira (28), quando a bolsa não registrou alta em nenhum ativo. Já na quinta-feira (29), ocorreu uma recuperação no período da tarde, finalizando o dia com uma alta de 1,27%.

Compartilhe