Cenário Nacional

Relatório Cenário Econômico Nacional – 13/10/2020

Relatório Cenário Econômico Nacional, 05/10/2020 a 09/10/2020

Cenário econômico nacional 13/10/2020
Fonte: Banco Central do Brasil

A semana se iniciou com os holofotes novamente mirados no Ministro da Economia Paulo Guedes e a sua relação com o Presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Analistas de mercado veem uma expectativa de aumento da taxa Selic ainda esse ano. A inflação fechou o mês de setembro em alta e houve melhoras nas expectativas do PIB brasileiro para este ano.

Com relação ao Dólar, a moeda norte-americana teve uma semana de correção se comparada com o real, dando assim, espaço para um período de alta no IBOV.

Política

A semana começou com os olhares voltados para o relacionamento do Ministro da Economia Paulo Guedes com o Presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Membros do governo trabalharam para amenizar a situação entre ambos. Em jantar na casa do Ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas, Guedes e Maia pediram desculpas mútuas e defenderam a pacificação para a continuidade da agenda de reformas.

Guedes e o Ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho também estão passando por momentos conturbados, principalmente sobre a forma de financiamento do programa Renda Cidadã.

Marinho defende publicamente que o programa “deve sair de qualquer jeito”, já Guedes, afirmou que não se deve furar o teto de gastos e ter ainda mais cautela diante de uma possível segunda onda da pandemia do vírus COVID-19.

Para apaziguar a situação entre os dois, o Presidente Jair Bolsonaro disse que pretende repreender Marinho para encerrar essa disputa.

Sobre o programa Renda Cidadã uma notícia que chamou a atenção foi a sugestão de extinguir o desconto de 20% concedido automaticamente a contribuintes que optam pela declaração simplificada do Imposto de Renda. Isso veio de fontes que participaram da elaboração do projeto, mas não houve nenhuma comunicação oficial até o momento.

Selic

A adequação do Renda Cidadã ao teto de gastos fez os juros futuros terem uma queda significativa na última segunda-feira (5).

Entretanto, isso não foi suficiente para que a curva de juros deixasse de colocar nos preços elevações na Selic já a partir deste ano.

Para o fim de 2021, a curva aponta para um juro básico em torno de 5%, como reflexo dos riscos ao teto de gastos e ao atual regime fiscal.

Cálculos da Renascença mostram que a curva precifica 40% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic já na reunião deste mês do Copom.

Além disso, os preços indicam quase 90% de possibilidade de uma elevação do juro básico em dezembro, também de 0,25 ponto. Para o fim de 2021, a curva aponta para uma Selic um pouco acima de 5%.

No mês de setembro, o Tesouro Selic surpreendeu ao registrar variação negativa, em uma queda de 0,27% no IMA-S, índice composto por títulos pós-fixados atrelados à Selic.

Em outubro o índice continua no vermelho, com variação de -0,44% até esta segunda-feira (5). Caso este cenário persista, será a primeira vez que o Tesouro Selic fica negativo por dois meses seguidos.

IPCA

Com a alta dos alimentos e dos combustíveis, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) teve uma aceleração de 0,64% no mês de setembro, superando as expectativas dos economistas que estava entre 0,45% a 0,61%.

Comparando com o mês anterior, a alta foi de 0,40%. No ano, de acordo com o IBGE, a inflação acumula uma alta de 1,34%. Já em 12 meses, o acúmulo é de 3,14%.

Inflação

De acordo com os dados divulgados pela FGV, o IGP-DI (Índice geral de preços-disponibilidade interna) teve uma queda no mês de setembro, fechando em 3,3%. Foi uma queda de 0,57% se compararmos com o mês anterior, que fechou em 3,87%.

Apesar da desaceleração no IGP, os demais índices como o IPC e o INCC se mantém em aceleração, de modo que a inflação geral do país tende a continuar em crescimento.

Nesta quarta-feira (7) o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, em entrevista à Rádio Jovem Pan, afirmou que “não há como ter inflação e juros baixos com fiscal desorganizado”.

Roberto Campos Neto disse que que “O fiscal é o centro”, mas que o Brasil tem uma história fiscal mais delicada, porque tem uma das dívidas mais altas do mundo emergente.

O presidente do BC também destacou que o país tem uma capacidade enorme de se reinventar e destacou fatores que podem ajudar a retomada do crescimento, como a capacidade ociosa na indústria, um parque tecnológico e o setor agropecuário, que é o terceiro do mundo e tem espaço para crescer. Há ainda um conjunto de investidores estrangeiros que querem vir para o Brasil, por causa do tamanho da população.

PIB

Novamente foram atualizadas as expectativas do PIB brasileiro no Boletim Focus, divulgado esta semana, passando de uma contração de -5,04% para -5,02%.

O otimismo em relação a contração no PIB deste ano vem ocorrendo nas últimas 4 semanas, que passou de uma contração de -5,31% para o que está estimado agora de 5,02% devido a retomada da economia frente à pandemia.

As expectativas para o próximo ano se mantém em um crescimento de 3,5%.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), há uma perspectiva de melhora no PIB brasileiro, firmando sua expectativa em uma contração de -5,8% para este ano e um crescimento de 2,8% para o próximo ano. Porém, o FMI fez um alerta sobre os riscos da dívida externa chegar a 100% do PIB do país ao final deste ano.

Câmbio

Após 3 semanas de alta no dólar em relação ao real, a moeda norte-americana iniciou uma semana de correção. O menor valor negociado na semana foi de R$ 5,48 e o maior valor ficou em R$ 5,68.

Nesta sexta-feira (9), acompanhando o clima positivo nos mercados do exterior, o Dólar operou em queda.

No mês, o Dólar passou a acumular queda de 0,53%. Já no ano, a valorização é de 39,36%.

Já o IBOV, índice que mede as movimentações na bolsa de valores brasileira, teve uma semana de retomada nas movimentação, frente às expectativas de melhora da econômia e os “ânimos” políticos estarem em clima de reconciliação.

A mínima testada na semana foi de 93.984 pontos e a máxima 98.642, mesma máxima de 2 semanas anteriores.

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